quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Escola de Chicago

(...) a Escola de Chicago buscava uma abordagem não totalizante, que considerasse o homem em seu meio social. Nisto está mais um dos exemplos da influência de Dewey: sua noção de que o homem só pode ser considerado em seu contexto de interação social é uma das idéias que nortearam a formação da Escola. É a partir dos princípios do pragmatismo e do empirismo que surge a abordagem metodológica que vem a caracterizar a Escola de Chicago: pesquisas qualitativas e quantitativas que buscavam compreender as interações simbólicas dentro do contexto social.

Nesse cenário, talvez a herança teórica que possa ser destacada dentro da Escola seja a noção de 'interacionismo simbólico', cunhada nos anos 30 pelo psicólogo Herbert Blumer a partir da obra do sociólogo Georg Hebert Mead, ambos da Escola de Chicago. Blumer estabelece três premissas para o interacionismo simbólico:
- O modo como um indivíduo interpreta os fatos e age perante outros indivíduos ou coisas depende do significado que ele atribui a esses outros indivíduos e coisas.

- Este significado é resultado dos processos de interação social.

- Os significados dos objetos podem mudar com o passar do tempo.
Blumer divulgou com base na sua noção de 'interacionismo simbólico' dois estudos relacionados à área de Comunicação: “Filmes e Conduta” (Movies and Conduct) e “Cinema, delinqüência e crime” (Movies, Delinquency, and Crime), ambos em 1933. Em “Filmes e Conduta”,Blumer inclui relatos de mais de centro e quinze estudantes secundaristas e universitários sobre suas experiências com o cinema. A partir destes relatos, Blumer demonstra a influência do cinema sobre questões do cotidiano dos jovens, tais como estilo de vida, penteados, modo de beijar, chegando até mesmo ao tema de como bater carteiras. É válido lembrar que já existiam estudos europeus que falavam da influência do cinema sobre as massas, mas devido aos seus métodos empíricos, Blumer é o primeiro a demonstrar tal influência a partir de dados coletados.


A Escola de Chicago teve seu ápice nas décadas de 20 e 30. O método das pesquisas desenvolvidas era muito mais o de uma mistura entre pesquisa qualitativa e quantitativa do que apenas uma profusão de números, como é costumas supor. Fora as pesquisas de Blumer, citadas acima, as pesquisas desenvolvida pela Escola de Chicago focavam principalmente as formas de relacionamento dos grupos sociais dentro dos incipientes centros urbanos, que na época cresciam de forma acelerada. A 'paisagem' da cidade, ou sua 'ecologia', com a distribuição dos grupos sociais pelos territórios e rápida mudança de costumes e tradições era o cenário preferencial das pesquisas da Escola Sociológica de Chicago.


Apesar do conceito de interacionismo simbólico servir aos estudos de Comunicação Social, como o próprio trabalho de Blumer depõe, a noção foi pouco utilizada posteriormente nos estudos sobre Comunicação nos Estados Unidos. A pesquisa em comunicação passou a tomar um viés muito mais funcionalista, fundado em um modelo de comunicação específico e voltada principalmente a estudos quantitativos sobre efeitos.

O trabalho sobre jovens e cinema de Blumer acontece com o apoio do Fundo Payne, e já apresenta alguns princípios que podem ser relacionados às noções da teoria da agulha hipodérmica: os estudos levam a crer que a influência do cinema sobre as crianças é uma influência direta, ou seja, as crianças são alvos acertados em cheio pela bala mágica do cinema. Neste sentido, a pesquisa de Blumer é também uma pesquisa dos efeitos da comunicação, fazendo portanto parte dos estudos da recepção.


Fonte: http://cartografiasdacomunicacao.wikidot.com/escola-de-chicago

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